O desafio é completar o percurso em uma trilha realizada, na maior parte, no meio do cerrado. O terreno irregular e a distância não são os únicos fatores que podem assustar os participantes. Uma subida ao longo de dez quilômetros, já na saída, é quem dá as boas-vindas e dita apenas o início do aquecimento.
Por mais que partam em conjunto e cheguem à reta final com comemoração e entregas de medalha, os 400 ciclistas percorrerão o percurso com o objetivo de passear. Não há competição — a não ser contra o próprio fôlego. A proposta é simples, mas não necessariamente fácil: completar toda a distância. Os mais experientes chegam em não mais do que quatro horas, já os iniciantes podem demorar até mais que o dobro do tempo.
Por outro lado, aqueles que não aguentarem cruzar a linha de chegada em cima da bike podem, sem constrangimento, pegar carona nas vans de apoio. Outros quatro pontos fixos, específicos para recuperar a energia com águas, sucos e frutas, dão uma colher de chá aos ciclistas mais cansados ou àqueles que, simplesmente, querem desfrutar a paisagem.
Segundo o organizador do passeio, Sérgio Pão de Queijo, a velocidade dos ciclistas varia, em média, entre 11km/h e 22km/h. Ainda que não haja preocupação com a ordem ou com o horário de chegada, por motivos de segurança, Pão de Queijo evita que a pedalada se prolongue noite adentro. “O limite de chegada é às 18h. Depois disso a gente busca quem ficou para trás.” Após a suada jornada, o grupo passará a noite em Pirenópolis e retornará a Brasília apenas no dia seguinte, de ônibus.
Saiba mais
A próxima aventura do Desafiando Limites será em maio de 2012.
Interessados em participar do evento ou acompanhar como foi esta última edição podem ter todas as informações no site http://desafiandolimites.com.br

Prontos para o desafio
Não há seleção ou análise de requisitos entre os participantes para ingressar no Desafiando Limites, a não ser ter o mínimo de preparo físico necessário para a conclusão do trajeto e, claro, todos os aparatos de segurança. A participação de menores só é permitida caso os pais topem a aventura.
Com as exigências em dia, 16 integrantes do projeto Deficientes Visuais na Trilha, dos quais alguns, inclusive, são veteranos na rota goiana, já estão preparados para a viagem de sábado. Destes, oito são os condutores, essenciais para a concretização do passeio.
Desde maio os treinamentos foram intensificados. De duas a três vezes na semana, eles se encontram no Jardim Botânico e colocam as duas rodas no meio do mato. “Se a gente treinar só em asfalto, vai sofrer. Em trilha tem muita subida e a estrada de terra fica bem mais pesada”, explica Mariane dos Santos, 22 anos, participante do evento pela terceira vez.
Há quatro anos, Adauto Belli, 40, pedala com o grupo. Já na estreia, ainda no asfalto, percorreu uma distância próxima à do desafio deste fim de semana. “Fiquei empolgado e fiz logo 80 quilômetros”, lembra Belli, que também é corredor. “Depois que eu fiquei sabendo que o limite de iniciante era só 3km”, completa, entre risadas. Era apenas o início da saga de Belli, cujo recorde de distância foi Brasília-Paraty (RJ): 1.600 quilômetros em 18 dias.
O bom desempenho dos deficientes visuais deve ser equivalente ao de quem os guia. Em uma bicicleta com dois bancos, mais comprida e pesada que a individual, o condutor, posicionado à frente, é responsável pelo direcionamento do guidão e por avisar sobre o nivelamento do trecho. Alguns detalhes que naturalmente seriam passados despercebidos, no entanto, não podem ser deixados de lado. “Esqueceram de me avisar que passaríamos por baixo de um galho. Entrei com o capacete em cheio”, conta Wallace Paschoal, famoso por fazer piadas durante as pedaladas. |
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