.:Entrevista com Ronaldo Alves, presidente da ONG Rodas da Paz

Fundada em 2003, a Organização Não-Governamental (ONG) Rodas da Paz tem como missão combater os acidentes e mortes de ciclistas no trânsito do Distrito Federal. O grupo investe em palestras, protestos e passeios coletivos pelas ruas de Brasília.

Nesses 7 anos de existência, a Rodas da Paz conseguiu alguns avanços, como a Lei Distrital nº 3639, que determina a construção de ciclovias em obras de construção de vias, e a criação do Co-Ciclista, comissão do Ministério Público que cobra o cumprimento das leis de proteção aos usuário de bicicleta.

Apesar da luta da ONG, o trânsito do DF ainda não é o lugar mais seguro para os ciclistas. Nos últimos 14 anos, 723 deles morreram e 41 deles, em 2009. Em entrevista à Revista, o presidente da ONG, Ronaldo Alves, afirma que os motoristas brasileiros não aprenderam a compartilhar as pistas com outros meios de transporte. "É preciso educar os motoristas, pois eles se acham hierarquicamente superiores aos ciclistas", explica.

Qual é a situação da bicicleta em Brasília?
A cultura da bicicleta tem tudo para pegar aqui em Brasília. O problema continua sendo a falta de vontade política. Nós precisamos de políticas públicas que garantam a segurança e protejam os ciclistas.

Os ciclistas correm muitos riscos?
O problema é que os motoristas brasileiros ainda não tem o hábito de compartilhar a pista com a bicicleta. É preciso educar os motoristas, pois eles se acham hierarquicamente superiores aos ciclistas.

Lá fora a situação é diferente?
Na Europa, por exemplo, os motoristas respeitam mais. Eles não querem matar os ciclistas. As coisas são mais organizadas, sem falar nas faixas exclusivas para bicicletas.

Existe algum projeto de estímulo ao uso de bikes no DF?
Nós estamos perto de implementar um sistema de aluguel de bicicleta no DF. Acho que o até o ano que vem isso pode sair do papel. Os pontos de aluguel estimulam as pessoas a trocarem o carro pela bicicleta.

Isso pode mudar a situação atual?
Ajuda a criar o perfil, pois a discussão do momento é a sustentabilidade. É uma necessidade trocar o carro por outro meio de transporte.

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