.:Dia Sem Carro: adesão ao movimento no DF não foi a esperada

Hoje cedo, houve congestionamentos em vários pontos, como no Eixão Sul e na Estrutural. Dentro da programação prevista, um desafio: qual o meio de transporte mais eficiente?

22 de setembro
No Dia Mundial Sem Carro já houve um passeio de bicicletas, inclusive com a participação do ministro das Cidades, Márcio Fortes. No estacionamento do ministério, que organiza o evento, foram montados estandes com exposições de fotos e distribuição de panfletos sobre trânsito.

A adesão dos motoristas foi mínima. Pela manhã houve muitos congestionamentos. Na saída do Lago Norte, por exemplo, os motoristas perderam muito tempo. No Eixão e nos Eixinhos Sul o trânsito parou. Na Estrutural, como de costume, um longo congestionamento.

E por conta da data especial também foi realizado, pela primeira vez no Distrito Federal, um desafio para saber qual o meio de transporte mais eficaz. O desafio já foi realizado em várias cidades, inclusive nesse domingo, em São Paulo, e é uma iniciativa do Movimento Bicicletada.

Desafio

Ponto de saída: QI 25 do Guará II. Cada um escolheu um meio de transporte para fazer o trajeto até o Museu da República, passando pela Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG).

“Muitas vezes, chego mais rápido de quem vai de carro. Já estou acostumado e espero conseguir de novo”, diz o biólogo Uiará Lourenço.

“Acho que vou chegar primeiro. Mas prefiro ir de bicicleta do que de moto. Muito mais”, admite o estudante Vinícius Viana.

“A minha expectativa é ser uma das últimas a chegar, já que o carro realmente é ineficiente. Acho que vou ficar muito estressada no trânsito”, prevê a bióloga Simone Messias.

Hora da largada: 7h22. A reportagem do DFTV resolveu acompanhar o jornalista Bruno Aragão. Uma caminhada curta até o ponto de ônibus. “Já são 15 minutos de espera e nada. Estamos aqui esperando”, reclama Bruno.

Quarenta minutos depois, chega o ônibus. “São 8h05. Foram exatamente 40 minutos de espera lá na parada. Por enquanto o ônibus não está cheio. Está vazio, tranquilo”, acrescenta o jornalista.

Algumas paradas e o cenário muda, ou seja, o ônibus fica lotado. De qualquer forma, Bruno teve sorte. O trânsito estava fluindo e seguiu assim até o destino: o ponto da Catedral de Brasília.

Quarenta e cinco minutos depois, ainda falta uma pequena caminhada até o ponto de encontro. Qual a percepção sobre o transporte público do DF? “A percepção é péssima. Imagine como deve ser para quem precisa ir trabalhar todos os dias, encarar tudo isso?”, destaca.

De longe, dá pra ver os companheiros no Museu da República. “Foi uma hora e quarenta pra chegar aqui. Mais ou menos isso”, revela Bruno.

“Eu gastei uma hora de metrô. Fiz um percurso a pé, lá da 25 até a estação do metrô. Um percurso sem calçada, sem condição para o pedestre. Quando cheguei ao metrô, não deu pra entrar no primeiro que passou. Não cabia mais ninguém. No segundo deu pra entrar, mas bem apertada. Entre uma estação e outra foram mais ou menos quatro minutos. Cheguei uma hora depois”, conta a senhora que usou o metrô como transporte.

O ônibus demorou uma hora e 38 minutos. O carro, 57 minutos. Quem foi mais rápido, de bicicleta, chegou depois de 28 minutos. Praticamente junto com o motociclista. “Apenas um minuto de diferença em relação ao ciclista. Então, será que vale a pena poluir tanto por uma diferença tão pequena?”, questiona Vinícius.

“O dia que tiver uma ciclovia numa via expressa, que é importante, a gente vai chegar muito mais rápido e com muito mais segurança”, destaca o estudante Yuriê Batista.

Agora é hora de fazer o relatório. Comparar tempo, riscos no trânsito, emissão de gás carbônico e apresentar para as autoridades, além de divulgar na internet. “O objetivo principal é mostrar para as pessoas que elas podem deixar o carro em casa e fazer o seu deslocamento usando transporte público ou alternativo, como a bicicleta”, afirma o representante da ONG Rodas da Paz, Renato Zirbinato.

O relatório completo vai ser divulgado no blog do Movimento Bicicletada. A partir das 14h vai haver seminários no Ministério das Cidades para discutir melhorias no transporte público.



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