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.:Malha cicloviária do DF deve fechar 2010 com apenas 128km

Há pontos perigosos e outros onde a manutenção é deficiente. Ceilândia receberá pista para bicicletas

Ceilândia vai ganhar sua primeira ciclovia. A nova área destinada aos ciclistas do Distrito Federal — com 20 quilômetros de extensão — custará aos cofres públicos R$ 3,8 milhões e ligará os moradores ao metrô. A construção foi autorizada ontem e deve começar nos próximos dez dias. A obra já foi licitada e falta apenas a assinatura do contrato, o que ocorrerá na próxima semana. Atualmente, no DF, o espaço destinado àqueles que escolhem se locomover utilizando bicicletas é restrito: apenas em 6% das vias existem áreas específicas para ciclistas, um total de 42 do 723 quilômetros de pistas locais.

Acima, foto da situação da ciclovia de Itapoã que é preocupante: a terra toma conta da pista em partes da via.

Em alguns pontos, a manutenção das pistas é falha; em outros, as áreas são perigosas e parecem improvisadas. A malha cicloviária do DF foi planejada para ser a maior da América Latina, com 600 km de extensão. A meta — apresentada pelo projeto Pedala-DF em 2007 — foi reduzida. Hoje, o governo promete entregar, até setembro, 128km de ciclovias cujas obras estão em andamento. Também está prevista a sinalização das ciclofaixas dos lagos Sul e Norte. Ainda não há previsão para entrega das obras em Ceilândia. O intuito é criar na capital federal a maior malha cicloviária do Brasil.

Apesar da expansão, as novas vias não devem ser suficientes para suprir as necessidades dos 400 mil ciclistas brasilienses. De acordo com dados levantados pela organização não governamental (Ong) Rodas da Paz, cerca de 35 mil bicicletas são vendidas por mês no DF. Dessas, aproximadamente 30% — 10,5 mil — são utilizadas por adultos para lazer, prática de esportes ou como meio de transporte. “Com a crise mundial em 2008, houve um corte nos recursos de todos os projetos do GDF e tivemos que reduzir o que estava previsto. Nosso perfil são ciclovias de trabalho, diferente do que ocorre no Rio de Janeiro, por exemplo, onde essas vias são mais para lazer”, considera Leonardo Firme, gerente do Pedala-DF. Para o presidente do Rodas da Paz, Ronaldo Alves, o ganho conquistado pelos ciclistas com as novas inaugurações é grande, mas ainda está longe do desejado. “Estamos começando de fora, que é a população de renda mais baixa e precisa ainda mais desse transporte. Depois queremos chegar ao Plano Piloto. Ainda temos muito o que construir”, avalia.

Manutenção

O Correio percorreu as ciclovias do DF para ver o estado de conservação das pistas. A pior situação foi encontrada em Itapoã, com trechos de asfalto quebrados, sinalização destruída e terra tomando conta de partes da via. No Varjão, alguns pontos do asfalto da ciclovia também estão danificados, mas a situação geral da pista é boa. “Quanto mais elaborado o projeto da ciclovia, de menos manutenção ela vai precisar. As que foram construídas sem um bom projeto de estrutura estão nessa situação”, considera Ronaldo Alves.

A ciclovia de São Sebastião, que liga a cidade aos condomínios do Jardim Botânico, é a mais bem estruturada do DF. Planejada, ela apresenta uma camada de asfalto mais grossa que as demais, o que facilita a conservação. São 12 quilômetros utilizados por moradores que circulam, principalmente, entre a cidade e o Lago Sul. “Depois que construíram, em 2008, eu passei a me sentir mais seguro. Antes já vinha de bicicleta porque não tenho carro, mas eu tinha medo”, afirmou o serralheiro Cláudio Santos, 31 anos, morador de São Sebastião, que trabalha em uma casa próxima ao Jardim Botânico. Em Samambaia, a conservação da via também é boa.

Em muitos pontos do DF, no entanto, os ciclistas ainda transitam com perigo. Mesmo com uma área específica destinada a eles. É o caso da barragem do Paranoá, sentido Lago Sul, onde existe uma ciclofaixa que coloca os adeptos das bicicletas em constante risco. “Passo aqui porque tenho que passar, não é uma opção”, afirma o autônomo Leonardo Dias Filho, 24 anos, que trafega pelo menos uma vez por semana no lugar, bastante estreito. Outro local perigoso, dessa vez pela falta de pista reservada aos ciclistas, é o Pistão Norte e Sul em Taguatinga, bem como a ligação entre o Itapoã e o Varjão. De acordo com dados do Detran-DF, 12% dos acidentes de trânsito do último ano envolveram ciclistas. Apenas em 2009, 42 morreram em acidentes no DF.


O número
20 km - Extensão da ciclovia que começará a ser construída em Ceilândia nos próximos dias

Onde pedalar:

Ciclovias existentes no DF

São Sebastião 12 quilômetros
Itapoã 6,5 quilômetros
Varjão 12,1 quilômetros
Samambaia 7,5 quilômetros

Ciclovias em construção

DF-150 (liga Sobradinho ao Colorado)
DF-097 (Parque de Águas Claras)
Estrada Parque Taguatinga (EPTG)
Ciclovia que liga Ceilândia a Samambaia
Recanto das Emas
Santa Maria

* Existem também rotas de ciclofaixas no Lago Sul e no Lago Norte

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

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.:Falta de pistas ameaça ciclistas de Brasília

Menos de 6% das vias do DF têm espaço adequado para adeptos das pedaladas. GDF promete entregar 170 km de ciclovias até fim do ano

Obrigados a lidar com interrupções frequentes das faixas e falta de educação dos motoristas de automóveis, os ciclistas de Brasília enfrentam dificuldades e perigos constantes para não abandonar o saudável hábito das pedaladas em uma cidade famosa pela suposta necessidade de se locomover motorizado.

De acordo com dados do Detran-DF, 11,4% dos acidentes de trânsito nos últimos anos envolveram ciclistas. Segundo usuários, especialistas e até mesmo autoridades, o que melhor explica o percentual elevado é a falta de infraestrutura viária adequada. As ciclovias e ciclofaixas, espaços reservados para o tráfego dos ciclistas, ainda são raridade no DF. No total, a região tem, segundo o Departamento de Estradas e Rodagem, 723 km de pistas locais. Destes, apenas 42 km, o equivalente a 5,8%, são acompanhados de ciclovias.

Para solucionar o problema, o Governo do Distrito Federal criou, em 2007, o Pedala-DF, uma iniciativa levada adiante em parceria com o DER cujo objetivo era justamente estimular o uso de bicicletas por parte da população a partir da construção de novas ciclovias. A meta inicial envolvia a implantação de 600 km das pistas especiais em 2010, mas já foi abandonada. Hoje, o governo promete entregar, até o fim do ano, pelo menos mais 170 km de ciclovias cujas obras, diz, estão em andamento.

"Com a crise mundial em 2008 houve um corte nos recursos de todos os projetos do GDF e tivemos que diminuir. Ainda assim, é um número respeitável. Teremos a maior malha cicloviária do Brasil", orgulha-se Leonardo Firme, gerente do Pedala-DF.

A extensão da malha cicloviária de acordo com o planejamento atual do governo de fato colocaria Brasília a frente do Rio de Janeiro, cidade referência brasileira no assunto, em termos de quilômetragem.

Segundo o presidente da ONG Rodas da Paz, Ronaldo Martins Alves, no entanto, ainda que as novas pistas sejam concluídas elas não serão suficientes para os mais de 400 mil ciclistas da região. "Se não fosse a dedicação e pressão que fazemos nos órgãos públicos, não teríamos grande parte da pouca infraestrutura que temos hoje", reclama.

Problema agravado pela imprudência ao volante

Presidente da Associação de Ciclistas do DF, Eraldo Leonardo da Costa confirma o perigo de se pedalar em Brasília. "Não há ciclovias. No Lago Sul, por exemplo, a ciclofaixa faz parte do acostamento. Está errado". Apesar da falta de infraestrutura, contudo, Costa diz que muitos acidentes também são causados pela imprudência dos motoristas. "Há muita falta de respeito", lamenta.

"Não há um só culpado pelos acidentes. Ambas as partes, ciclistas e motoristas, têm como obrigação seguir as regras e manter a paz no trânsito", completa Ronaldo Martins Alves, da Rodas da Paz.


Irresponsabilidade motivada pela falta de infraestrutura: um ciclista pedala em sentido contrário ao tráfego na UnB

FONTE: www.destakjornal.com.br

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.:Desrespeito de motoristas contra ciclistas em Brasília

Desrespeito de motoristas contra ciclistas no acostamento ciclável do Lago Sul - Brasília (DF)

Foram feitos outros flagrantes no local, que mostram carros, motos, ônibus e caminhões trafegando livremente no “acostamento ciclável”, de dia e à noite. Mas este vídeo é o mais emblemático da forma como o usuário de bicicleta é tratado em Brasília. Um motorista com farda da polícia militar desrespeita o acostamento, insiste na infração e chega a passar com o pneu dianteiro em cima do pé de um ciclista.

Em contato com o superintendente de trânsito do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), órgão responsável pela administração da via onde foram filmados os mautoristas, eu e mais dois colegas expusemos os problemas e pedimos fiscalização urgente no local. A resposta foi negativa. Ele disse que já sabia do problema, mas que o efetivo da Polícia Militar era baixo para atender todas as rodovias no Distrito Federal e não fazia sentido deslocar agentes para o local e deixar de atender os acidentes. Para completar, informou que o DER não possui um servidor sequer para fiscalizar as infrações. Há 60 aprovados num concurso e nenhum foi nomeado. Em plena capital dita moderna, “planejada”, casos de total desrespeito com usuários de veículo não poluente contam com a omissão do governo.

Vale ressaltar que, no dia dos flagrantes, ligamos para a polícia, relatamos os fatos e pedimos fiscalização no local. Passou-se mais de uma hora e nada de policiamento. Ou seja, todos os mautoristas ficaram impunes. Aos que insistem em pedalar em Brasília restam insegurança e a promessa dos 600 km de ciclovias até este ano. Aos motorizados sobram alargamentos de vias, construção de viadutos e conversão de acostamento em terceira pista.

O vídeo serve de reflexão, especialmente aos que são de fora de Brasília e têm uma imagem equivocada da cidade (trânsito civilizado, com respeito às faixas de pedestre). Na verdade, o que caracteriza a capital federal são as vias expressas, com prioridade absoluta aos motorizados.

Saudações,
Uirá


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